Do liberalismo ao neoliberalismo
Baseada nas ideias de Adam Smith, teoria liberal surge no século XVIII e volta a ganhar força a partir dos anos 1970, após décadas de supremacia keynesiana
Nas últimas décadas do século 20, a expressão “neoliberalismo” passou a fazer parte não só do dia a dia de economistas, mas, também, do noticiário jornalístico, que difundiu o termo para toda a sociedade. Obviamente, para haver um “neoliberalismo”, é preciso que tenha havido, anteriormente, um “liberalismo”, doutrina econômica que tem suas bases em autores clássicos, como o filósofo escocês Adam Smith.
“O liberalismo vem do individualismo. As três questões básicas do liberalismo são a garantia da propriedade privada, a garantia dos excedentes monetários e a liberdade de usar os excedentes monetários, para qual se usa a doutrina de Adam Smith”, diz o professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade do estado do Rio de Janeiro (Uerj) Valter Duarte Ferreira Filho.
E como o individualismo aparecia na principal obra de Adam Smith, “Uma Investigação Sobre a Natureza e a Cauda da Riqueza das Nações” (ou, simplesmente “A Riqueza das Nações”), de 1776?
Para ele, existiria uma tendência natural do ser humano para a troca e a barganha, na busca por saciar seus próprios interesses. Mas, segundo Smith, ao buscar os próprios interesses, os indivíduos estariam contribuindo para o aumento da riqueza da sociedade, mesmo não sendo este o intuito.
É como se a sociedade se beneficiasse como um todo, porque cada um estaria buscando o melhor para si. E isso de forma natural, automática, sem a necessidade de nenhuma intervenção estatal.
“Os homens, produzindo para a própria subsistência, têm tendência natural para troca. O excedente da produção de cada indivíduo seria usado para trocar por mercadorias que eles não produziam. Procurando o melhor para si se dá o melhor para os outros, sem pensar nisso, sem benevolência alguma. Isso é um resultado impensado da propensão natural para a troca que os homens têm”, conta Valter.
Mas para que haja essa troca, é preciso haver excedente de produção. E este excedente de produção é obtido por meio do trabalho. Desta forma, os indivíduos teriam interesse em trabalhar de forma cada vez mais eficiente para que possam ter um maior estoque do produto de seu trabalho, necessário para se trocar por outros bens de interesse. A partir desta lógica, o escocês explica como o trabalho e as trocas comerciais, guiadas pelo interesse individual, vão gerar riqueza coletiva, prescindindo assim do Estado.
Neoliberalismo
Eclipsado pelo sucesso da aplicação das ideias de Keynes para afastar a crise de 1929, por meio do estado de bem-estar social, o neoliberalismo ganha destaque com a crise capitalista dos anos 1970. É neste contexto que surge a globalização de mercados, a defesa de uma maior desregulamentação econômica, com privatizações de empresas estatais e afrouxamento das garantias dos trabalhadores (o economista americano Milton Friedman, vencedor do prêmio Nobel de Economia em 1976, defendia a extinção do salário mínimo), dentre outras ações que garantiriam maior liberdade à iniciativa privada.

Valter Duarte Ferreira Filho, professor de
Ciências Sociais da Uerj (Foto: Divulgação)
http://redeglobo.globo.com/globociencia/noticia/2012/01/do-liberalismo-ao-neoliberalismo.html
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